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Instinto de sobrevivência

 


 O instinto de sobrevivência que levou o taberneiro a mudar radicalmente de posição, de ferveroso defensor da lei do trabalho para eriçado opositor, depois do sucesso de uma greve geral conjunta entre as duas centrais sindicais, onde só o governo e a sinistra, perdão, ministra do Trabalho torciam a realidade para um fracasso épico, foi o instinto de sobrevivência que levou o taberneiro, depois de andar a cantar vitória contra a esquerda por conquistas espúria, a votar contra a lei do trabalho na 25.ª hora, no dia em que as sondagens o davam pela primeira vez à frente da AD e, no "Deve e Haver", na balança, pesou mais forte o grito da rua que o dinheiro dos financiadores do partido da taberna. O resto é conversa de ir ao cu para as "redes", e motivo para *** ENTREVISTA EXCLUSIVA *** nos canais de todas as televisões.

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 Prémio "Corno do Ano 2026" 

 

 

Arthur C. Clarke Reloaded

 


 Gajo cujo único passado profissional digno de registo é ter sido porteiro quer discutir "o futuro do trabalho". Faz um sentido... err... do caralho esta discussão lançada por quem defende um regresso às relações laborais do tempo dos livros do Dickens. A menos que "O futuro do trabalho" seja um livro do Arthur C. Clarke nunca antes publicado. É este saco de vento que é salvação da direita?

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Um governo de artistas de variedades

 


 Primeiro os sindicatos só representam 7% dos trabalhadores e por isso não têm o poder negocial que reclamam ter, agora é um partido que só vale 2,91% dos votos expressos em urna que condiciona, coage os trabalhadores. "Vamos todos fazer greve porque o PCP nos manda fazer". Um governo de artistas de variedades.

 "Adriano Rafael Moreira criticou ainda o PCP por querer impedir os  trabalhadores de negociar o banco de horas com as entidades patronais"

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A "representatividade"

 


 Nesta simulação de negociação na Concertação Social, uma espécie de câmara alta, inventada, e que não existe no sistema parlamentar constitucional tuga, de uma lei do trabalho que não foi levada a votos, dito de outra maneira, escondida durante a campanha eleitoral, um  dos argumentos, por assim dizer, do caralho, que apareceu a debate nos painéis televisivos, e parabéns a quem o inventou, foi o da fraca representatividade dos sindicatos, já que invocar a fraca representatividade das associações patronais é proibido por um código não escrito de argumentação paineleira-televisiva, mais ou menos aceite há anos. Porque quem cria emprego são as empresas e quem cria riqueza não são os trabalhadores colaboradores que elas empregam que lá colaboram, são os empresários, coitados, que não conseguem assegurar que os seus empregados colaboradores levem um vida decente fruto do seu trabalho da sua colaboração. É que quem não tem condições para assegurar um mínimo de dignidade a quem emprega consigo colabora fecha portas e vai trabalhar colaborar por conta de outrem, para ver o que é doce? Não, é uma das linhas vermelhas do capitalismo liberal tuga, antes trabalho colaboração, se preciso for a roçar os mínimos de sobrevivência.

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Falta de respeito

 


 Pessoas que ganham três, quatro, e mais salários mínimos nacionais, ainda mais 30% de isenção de horário em cima, que acham que os dos patamares inferiores devem aceitar o banco de horas individual.

 Trump que recusou a ajuda da China para desbloquear a merda que fez, a meias com Israel em Ormuz, com o brilhante raciocínio de que se os chineses se oferecerem é porque querem algo em troca.

 Uma alegada ministra do Trabalho que acha que o Presidente empoderou a UGT ao invés de a "entusiasmar" a assinar um acordo que nos remete a todos para os idos das novelas do Dickens.

 Tudo isto tem um denominador comum, tudo isto é a mesma face da mesma moeda: a falta de respeito pelo outro.

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 

Só não se chamou Câmara Corporativa para não ferir sensibilidades históricas

 


 João Marques de Almeida, uma alma penada que apareceu a escrever coisas da defunta revista Atlântico, e para quem tudo que seja à esquerda é o apocalipse, a menos que seja o PS e é só uma tragédia, chegou ao ponto onde a esquerda sempre esteve, ainda que por motivos inversos, "a concertação social devia morrer".

 A Concertação Social, que foi inventada para desvalorizar o poder dos sindicatos e diminuir a contestação e a reivindicação, uma espécie de açaime depois de inventada uma central sindical para assinar por baixo o que os patrões lhe diziam para assinar. Agora que nem para isto serviu acabe-se com ela.

 Obviamente a Concertação Social devia morrer, não existem duas câmaras, uma alta e outra baixa, no sistema parlamentar constitucional português. A Concertação Social só não se chamou Câmara Corporativa para não ferir sensibilidades históricas, o princípio é exactamente o mesmo.

 [Na imagem Mário Júlio de Almeida Costa, presidente da Câmara Corporativa à data do 25 de Abril de 1974]  

 

 

Por causa de um ultimato nasceu um hino nacional

 


 Donald Trump a dar ultimatos ao Irão, para se abotoar com o petróleo e com o urânio enriquecido, numa mão o Livro do Apocalipse na outra Jannah; Luís Montenegro, e uma alegada ministra do Trabalho, a darem ultimatos à UGT para cumprir o seu destino, assinar o regresso aos contos do Charles Dickens, com a promessa dos amanhãs que cantam no trickle down do crescimento para o infinito e mais além.

 

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Palha aos burros

 

 

 Dia 19 de Abril: o Pacheco não sabe "lidar com a tareia que levou". A "malta maoista nunca sabe aceitar derrotas...". "O Lula tem de saber que nós não gostamos de ladrões e que a recepção em Lisboa não vai ser igual à que teve em Barcelona"Dia 20 de Abril: "André Ventura é visto como o verdadeiro líder da oposição em Portugal". "Um forte abraço Nikolas Ferreira. vamos acabar com a esquerdalhada corrupta dos dois lados do Atlântico !". "Eva Cruzeiro e os socialistas". "Vem dizer não à corrupção e ao crime organizado !", assim mesmo, com espaço entre a palavra e o ponto de exclamação.

 Dia 21 de Abril: "Juntem-se a nós no grito contra a corrupção e a imigração descontrolada!". "Hoje ofereci ao próximo Presidente da República Francesa uma camisola assinada do Chega no Palácio da Bolsa , no Porto.". "Os que se acham donos do 25 de Abril também se acham moral e intelectualmente superiores aos outros portugueses.". "O Chega vai propor no Parlamento português que os condenados por corrupção não possam voltar a ser titulares de cargos públicos em Portugal."

 E podemos recuar mais no tempo que é mais do mesmo, imigrantes, bandidagem, ciganos, subsídios, o Lula, o terceiro mundo, o gasóleo, o Pedro Marques Lopes, as sondagens, os ladrões, vai-te embora [para a tua terra", o cocktail Molotov, a gasolina do Sanchez mais barata, o filho do Costa, fica a doer o dedo de tant scroll. Lei do trabalho: zero, rien, nada, niente, apesar de um bronco, arvorado líder da bancada parlamentar de um outrora partido social-democrata, coadjuvado por uma alegada ministra do Trabalho, insinuarem que o pacote que nos remete para o tempo do Charles Dickens poder ser aprovado no Parlamento com os votos do partido da taberna.

 São as doses diárias de palha distribuída aos burros nas redes alegadamente sociais.

 [Imagem de autor desconhecido]  

 

 

Putas e Democracia

 


 Apresentam-se a votos sem falar em alteração à lei do trabalho, nem pouco mais ou menos;

fazem de conta que a greve geral não foi uma greve geral, um fiasco tal que até fez o partido da taberna mudar de posição, indicador ignorado;

fazem simulação de negociação com uma central sindical, deixando de fora a maior. O argumento é o de que os sindicatos já não são o que costumavam ser, o baixo nível de sindicalização, e tal; 

como os sindicatos já não contam para o baralho escolhem "negociar" com o sindicato que conta menos;

regressam à mesa de negociação, contrariados, a pedido do Presidente da República;

continuam a simular negociação enquanto entregam ao sindicato escolhido a versão truncada do discutido;

na iminência de um rotundo "NÃO!" insinuam, em tom de ameaça sonsa, a aprovação no Parlamento a meias com o partido da extrema-direita.

 Nos idos do PREC as paredes das cidades apareceram pichadas com "As putⒶs ao poder que os filhos já lá estão".

 [Imagem de autor desconhecido]  

 

 

Dias de festa

 


 António José Seguro pressiona a UGT, o governo pressiona a UGT, os patrões pressionam a UGT. E a UGT não foi inventada para ser pressionada. Será, como dizem os 'amaricanos', um turning point? Isso também não interessa nada, primeiro-ministro e ministra da especialidade já disseram que há sempre a legitimidade parlamentar, que se pode muito bem substituir à legitimidade de uma câmara alta, na figura da Concertação Social, órgão de soberania inexistente no sistema constitucional português, criada para retirar poder aos trabalhadores, ilibar o poder político, dar um ar de paz social, concórdia e alegria no trabalho. Tudo está bem quando acaba bem. Mas isso também não interessa nada, a questão é se um PS regressado ao poder vai reverter todas as malfeitorias de pacotes laborais pró rigidez patronal? Não. Quando o fez foi muito pressionado pela esquerda, durante o governo da 'geringonça' e ainda assim com pontos onde recusou mexer.

 

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 

Conta-me como foi

 


 "Faz sentido acabar com o banco de horas individual?

 O banco de horas individual tem sido palco de vários abusos por parte dos empregadores. Não nos podemos esquecer de que o contrato de trabalho não é um contrato como outro qualquer. É um contrato em que há uma pessoa subordinada a outra pessoa. Portanto, acaba por haver uma certa imposição [do banco de horas] a coberto de um acordo."

 "Voltou-se bastante atrás no memorando da troika".

 Maria Ramalho, especialista em direito do trabalho, em 5 de Julho de 2018. "Foi a terceira doutorada na área em Portugal. Diz que o "empregador pode fazer quase tudo com o tempo de trabalho"."

 "Porquê diabolizar o banco de horas individual? É mutuamente vantajoso para ambas as partes, tornando as empresas mais produtivas e permitindo poupar em custos de contexto, e permitindo uma melhor conciliação entre a vida profissional e pessoal"

 Maria do Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, em 14 de Abril de 2026.

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Enfiado num buraco

 

 
 
 
 
Que a CGTP é igual ao partido da taberna, diz alguém que não conseguiu escolher entre António José Seguro e o taberneiro, porque nem um nem outro são da sua área política. Não aprendeu nada com a lição das presidenciais, picado que está pelo antigo líder, a quem fez de ponto, aquele personagem que dá as deixas aos actores escondido numa caixa na boca de palco, para poder brilhar nos quinzenais no Parlamento. Como paga faz-lhe agora o que ele fez a Rui Rio. Na bancada parlamentar tem um bronco carreirista que lhe segue as pisadas, especialista em números circenses com as palavras para camuflar a falta de conteúdo. Este entre Kamala e o agente laranja não sabia em quem votar. Com a degradação da vida política e a estupidificação do debate um destes dias damos com ele na melhor da hipóteses em ministro. Entretanto vamos esperar que o partido da taberna nos dê 35 horas semanais, os dias de férias fanados no tempo do governo da troika, a contratação colectiva de trabalho, as horas e os feriados pagos decentemente. É que são iguais à CGTP, segundo o artista.
 
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