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Por causa de um ultimato nasceu um hino nacional

 


 Donald Trump a dar ultimatos ao Irão, para se abotoar com o petróleo e com o urânio enriquecido, numa mão o Livro do Apocalipse na outra Jannah; Luís Montenegro, e uma alegada ministra do Trabalho, a darem ultimatos à UGT para cumprir o seu destino, assinar o regresso aos contos do Charles Dickens, com a promessa dos amanhãs que cantam no trickle down do crescimento para o infinito e mais além.

 

 [Imagem] 

 

 

Putas e Democracia

 


 Apresentam-se a votos sem falar em alteração à lei do trabalho, nem pouco mais ou menos;

fazem de conta que a greve geral não foi uma greve geral, um fiasco tal que até fez o partido da taberna mudar de posição, indicador ignorado;

fazem simulação de negociação com uma central sindical, deixando de fora a maior. O argumento é o de que os sindicatos já não são o que costumavam ser, o baixo nível de sindicalização, e tal; 

como os sindicatos já não contam para o baralho escolhem "negociar" com o sindicato que conta menos;

regressam à mesa de negociação, contrariados, a pedido do Presidente da República;

continuam a simular negociação enquanto entregam ao sindicato escolhido a versão truncada do discutido;

na iminência de um rotundo "NÃO!" insinuam, em tom de ameaça sonsa, a aprovação no Parlamento a meias com o partido da extrema-direita.

 Nos idos do PREC as paredes das cidades apareceram pichadas com "As putⒶs ao poder que os filhos já lá estão".

 [Imagem de autor desconhecido]  

 

 

Dias de festa

 


 António José Seguro pressiona a UGT, o governo pressiona a UGT, os patrões pressionam a UGT. E a UGT não foi inventada para ser pressionada. Será, como dizem os 'amaricanos', um turning point? Isso também não interessa nada, primeiro-ministro e ministra da especialidade já disseram que há sempre a legitimidade parlamentar, que se pode muito bem substituir à legitimidade de uma câmara alta, na figura da Concertação Social, órgão de soberania inexistente no sistema constitucional português, criada para retirar poder aos trabalhadores, ilibar o poder político, dar um ar de paz social, concórdia e alegria no trabalho. Tudo está bem quando acaba bem. Mas isso também não interessa nada, a questão é se um PS regressado ao poder vai reverter todas as malfeitorias de pacotes laborais pró rigidez patronal? Não. Quando o fez foi muito pressionado pela esquerda, durante o governo da 'geringonça' e ainda assim com pontos onde recusou mexer.

 

 [Imagem de autor desconhecido]