Saramago e os burros

 


 E não há um jornalista que se lembre de pedir aos deputados, avulso, do PSD ao partido da taberna, passando por aquele partido que não existe, o CDS, uma resenha de um livro de Saramago ou qual o último livro que leram e quando?

 Só se sentiram engraçados com o Bernardino e a Coreia e com a Rato e o Gulag.

 

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A guerra da [des]informação

 


 A foto da esquerda, a original, foi publicada em Dezembro de 2023 pelo Daily Mail, mostra Robert F. Kennedy Jr. , crente em teorias da conspiração, activista antivax, e agora secretário de estado da Saúde da administração Trump, numa festa ao lado de Jeffrey Epstein.

 A foto da direita, alegadamente hackeada por "invasão de fontes israelitas" [sic] pelo "Typhoon 404", um grupo de piratas informáticos ligados a Teerão, surgiu esta semana nas redes, alegadamente sociais, em contas no Xis e no Facebook afectas ao regime iraniano, e mostra a mulher de Netanyahu, Sara, na mesma festa de Epstein.

 A segunda foto é nitidamente manipulada, mas o que conta para quem manipula é o instinto primário dos crentes. E as guerras também se ganham e perdem assim.

 

 

 

 

Um matarruano com gravata de marca

 


 Um matarruano com gravata de marca teve um choque com a realidade, depois de 50 anos de uma narrativa diligentemente construida à roda do "terrorismo comunista" durante o PREC, e o cão de Pavlov que tem dentro a primeira coisa que fez foi atacar o jornalismo de investigação e a comunicação social independente, tal e qual o irmão gémeo partido da taberna que, com nódoas na gravata e sem saber falar e escrever português, lhe abocanhou as causas e o retrocesso civilizacional.

 

 "Num Estado que se queira de Direito e com valores esta capa é uma afronta e uma indignidade, a antítese do jornalismo sério e verdadeiro, um sinal de anomalia profunda que começa a afectar os pilares do próprio regime. O CDS reagirá firmemente em defesa da verdade e da decência."

 

 No tempo do "um Salazar" é que estes alegados jornalistas iam ver o que era bom para a tosse. Entretanto ficamos todos à espera de saber que "valores" o partido que não existe quer para o Estado, e qual a "verdade" e a "decência" que há para defender que não passe por reescrever a história nem meter mordaças nas vozes de que não se gosta.

 

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Voando sobre um ninho no telhado de uma taberna

 


 Um jornal que não existe, e como não existe não vende, do que é que vive são outros quinhentos, fez primeira página "Estado escondeu riscos das vacinas contra a Covid-19", prontamente replicado e amplificado pelo jornal da direita-estrema. No país exemplo, que abriu telejornais em todas as partidas do mundo com o sucesso da vacinação e a resposta da população, foi o tiro de partida para os chalupas saírem dos boeiros onde estavam hibernados, desde os filhos da puta anónimos nas redes, alegadamente sociais, escondidos atrás de avatares com cruzes templárias, capacetes vikings, a pátria, a família, e o caralho, até ao taberneiro, que andava desconfiado há bué, depois de há bué ter apanhado a vacina influenciado pela leitura de "vários estudos internacionais".

 

 O melhor ministro da Educação de sempre, a seguir ao melhor ministro da Educação de todos os tempos, trabalha para que José Saramago, único Nobel português da Literatura, possa deixar de ser obrigatório no 12.º ano. Foi o tiro de partida para os chalupas, acabados de sair dos boeiros, em roda livre com as vacinas, passarem a ser experts em literatura, que para eles significa ler o rótulo do bag in box tinto no Mini Preço, o formulário para a renovação do Cartão de Cidadão não conta porque têm ajuda do funcionário ao balcão, que metem "há-des cá vir" e "anda-mos" nos posts no Facecoise e no Tuita, que invariavelmente terminam com "agora pençem", enquanto metem likes a merdas de regozijo publicadas por discípulos do inteligente que não sabia o número de cantos d' Os Lusíadas e a matacões avulso do CDS.