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O embusteiro

 


 O taberneiro, que foi a correr para Washington assistir à tomada de posse de Trump numa sala dos fundos, pela televisão como o resto do mundo, e que teve os ilustres da bancada para lamentar [não é gralha] a fazer figura de parolos com bonés MAGA no alto da pinha a exaltarem um país terceiro, não condena o ídolo Donald pelos duzentos e tal dias de ataques ao Irão e estrangulamento da economia mundial, não. O taberneiro nem sequer diz que é injusto; o taberneiro diz que não é muito justo que um país inicie uma guerra e os outros paguem por isso, e ainda assim depois de muito pressionado para se manifestar e de sentir que a narrativa lhe estava a escapar, o embusteiro. É a arte de fornecer a ração diária de palha aos burros.

 [Imagem apanhada na net]

 

 

"Drill, baby, drill"

 


 Para a história vai ficar o extraordinário estímulo dado por esta administração Trump - com uma guerra inventada no Irão - à transição da gasolina/ gasóleo para o elétrico e, por arrasto, à indústria automóvel chinesa, a mais bem preparada para responder às procuras do mercado e a preços imbatíveis.

 "Drill, baby, drill", exige a horda de acéfalos enquanto aplaude o "agente laranja", sem perceber que está a cavar cada vez mais fundo a cova onde se vai enterrar.

 [Imagem] 

 

 

 


 Diz-se que no mundo só há um ser mais peneirento que Cristiano, como dizem na televisão, Ró náldo: Donald Trump. Emmanuel Macron, sabendo disso, levou-o em visita guiada a Versailles, e ali mesmo, no meio do ouro e do barroco dourado, verdadeiro e com história, nada de fancaria como a intervenção na Casa Branca, o POTUS - Peneirento of The United States, assinou a sua capitulação numa guerra insana onde o agredido saiu por cima sem sair do sítio onde estava. No meio do ouro, a humilhação passou para segundo plano, quiçá nem sequer existiu. Trump também teve direito ao seu Tratado de Versalhes, e para ele isso é o que conta.

 

 

Em Alef-Beit, também conhecido por alfabeto hebraico

 


 "Foi um prazer trabalhar com os iranianos. Não são extremistas"

 "Se eu não tivesse intervido, Israel teria sido destruído"

 "Se os iranianos obtiverem armas nucleares, o inferno abater-se-á sobre eles"

 "Sugeri a Israel que deixasse a Síria lidar com o Hezbollah. Eles fariam isso melhor"

 "Ataca Netanyahu, abraça os iranianos e gaba-se"

 A primeira página do diário israelita Yedioth Ahronoth.

 

 

Mission Accomplished

 

 

 Os States vão descongelar 25 mil milhões de dólares do Irão para reabrir um estreito que estava aberto antes de terem gastado 29 mil milhões numa guerra sem sentido. Há a possibilidade de uma portagem ser reintroduzida em Ormuz, coisa que não acontecia desde os idos de Afonso de Albuquerque. O Irão recebe autorização para exportar petróleo. Os americanos retiram toda a força naval das águas circundantes ao Irão, assim como do Golfo Pérsico. Por arrasto, Israel retira do sul do Líbano e deixa o Hezbollah por sua conta. Pelo meio ficou a pegada de carbono e as mortes de civis e militares, mas isso agora também não interessa nada 

 De todas as justificações dadas para o ataque ao Irão, o regime dos barbudos com trapos enrolados na cabeça não caiu, radicalizou ainda mais; as mulheres não ganharam direitos nunca vistos; a comunidade LGBT não ganhou estatuto; o urânio enriquecido não foi resgatado; a bomba está no mesmo ponto onde a administração Obama a deixou, sem guerra.

 Só falta uma foto do cor de laranja num porta-aviões com "Mission Accomplished" como pano de fundo. Nunca nos iremos esquecer  dos patetas que andaram nas televisões, rádios, jornais, e redes sociais a defender a bondade disto tudo.

 [Imagem] 

 

 

Falta de respeito

 


 Pessoas que ganham três, quatro, e mais salários mínimos nacionais, ainda mais 30% de isenção de horário em cima, que acham que os dos patamares inferiores devem aceitar o banco de horas individual.

 Trump que recusou a ajuda da China para desbloquear a merda que fez, a meias com Israel em Ormuz, com o brilhante raciocínio de que se os chineses se oferecerem é porque querem algo em troca.

 Uma alegada ministra do Trabalho que acha que o Presidente empoderou a UGT ao invés de a "entusiasmar" a assinar um acordo que nos remete a todos para os idos das novelas do Dickens.

 Tudo isto tem um denominador comum, tudo isto é a mesma face da mesma moeda: a falta de respeito pelo outro.

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 

Os "mercados"

 


 Já considerámos a possibilidade deste constante "avanço" e "recuo" no Irão, hoje há negociação amanhã não há, hoje há bloqueio ao bloqueio a Ormuz amanhã não há, hoje há "Projecto Liberdade" amanhã não há, hoje há grandes avanços nas negociações amanhã não há, às vezes em menos de 24 horas, não ser mais que manipulação dos mercados por Trump, que já triplicou o património líquido neste segundo mandato, e respectiva quadrilha?

 [Imagem]

 

 

The White House State Ballroom

 


 O regime teocrático continua onde sempre esteve, agora mais radicalizado; o povo cerrou fileiras em torno do regime contra um agressor externo; agora, mais do que nunca, vão investir tudo na construção da bomba; passamos a pagar portagem onde não se pagava desde os idos do Albuquerque; pelo meio destruíram-se infraestruturas de um país soberano, mais a industria de turismo do Golfo Pérsico; morreram milhares de inocentes; provocou-se uma crise energética mundial; tudo a troco de uns meros 40 mil milhões de dólares numa operação para libertar o Irão dos ayatollahs, pelos direitos humanos, direitos das mulheres, free speach e o caralho, com duração prometida entre 4 a 6 semanas que acabou derrotada em 38 dias. Diz que Trump ganhou a guerra.

 Em vez do White House State Ballroom o cor-de-laranja podia montar uma tenda, saía mais barato e era mais condizente com o inquilino.

 

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 Podíamos, nós, Europa, aprender alguma coisa com o Irão, em como lidar com um bully, egocêntrico e imbecil, por exemplo. 

 

 

 

 

A guerra da [des]informação

 


 A foto da esquerda, a original, foi publicada em Dezembro de 2023 pelo Daily Mail, mostra Robert F. Kennedy Jr. , crente em teorias da conspiração, activista antivax, e agora secretário de estado da Saúde da administração Trump, numa festa ao lado de Jeffrey Epstein.

 A foto da direita, alegadamente hackeada por "invasão de fontes israelitas" [sic] pelo "Typhoon 404", um grupo de piratas informáticos ligados a Teerão, surgiu esta semana nas redes, alegadamente sociais, em contas no Xis e no Facebook afectas ao regime iraniano, e mostra a mulher de Netanyahu, Sara, na mesma festa de Epstein.

 A segunda foto é nitidamente manipulada, mas o que conta para quem manipula é o instinto primário dos crentes. E as guerras também se ganham e perdem assim.

 

 

 

 

De volta a 1930

 


 Um judeu retratado ao melhor estilo do Der Stürmer de Julius Streicher. Começa a dar frutos esta guerra onde o narcisista egocêntrico Trump meteu a América, a toque de caixa de Netanyahu, e de onde agora não consegue nem sabe como sair. Os Estados Unidos, um dos libertadores da Europa das garras da Alemanha nazi...

 

"Reported in Ohio at a gas station: an antisemitic sticker blaming Jews for rising gas prices using a classic Nazi-style caricature of a Jew". 

 

 

 

 

Vai levar muito tempo até a América recuperar outra vez o respeito e o prestígio

 


 O mundo inteiro goza com Trump, o mundo inteiro goza com os Estados Unidos, o mundo inteiro goza com a América de Trump, ninguém lhe tem respeito. O mundo inteiro ponto e vírgula, em Portugal há quem se esmifre nas televisões para dar racionalidade às decisões de um imbecil egocêntrico.

 

 Ainda ontem Trump deu cinco dias de descanso a Teerão, porque há dois que estavam em conversações, que calhavam precisamente nas 48 horas que tinha dado de ultimato para a reabertura de Ormuz. Confusos? Não, apareceram logo nas redes e nas televisões génios a dar créditos a Trump. Comentadeiros, analistas, especialistas que se torcem todos em directo a explicar a racionalidade, a perspicácia, o génio das decisões de Trump. O homem é apenas imprevisível, nós, os que pensamos que não tem estratégia absolutamente nenhuma é que somos lerdos, ou anti 'amaricanos'.


 Não há memória de alguma vez um país ter conseguido amarrar outro a uma guerra como o Irão faz com os Estados Unidos, qualquer coisa que Trump diga, qualquer coisa que os bajuladores que o rodeiam digam, é prontamente desmontada, às vezes num espaço de segundos, por contas oficiais do regime nas redes, por notas de imprensa para as agências noticiosas, sempre com recurso a um humor humilhante, como a conta oficial da embaixada do Irão na África do Sul, com o estreito de Ormuz controlado por Trump e um Ayatollah.

 

 Qualquer saída vai parecer sempre cobardia, vai soar sempre a derrota.

 

[Imagem] 

 

 

 

 

Os artistas do contorcionismo

 

 

Que o país virou à direita, que o PS tem de meter isso na cabeça, não tem legitimidade para indicar um juiz para o Constitucional, os que andaram dois meses a berrar que Seguro era socialista, ministro do Guterres, para depois levarem uma tareia mestra nas urnas, 3.505.846 para 1.739.745 votos, do tal "socialista" no "país que virou à direita".

 

Que o Sánchez é contra a guerra para distrair os espanhóis, "num momento pessoal e político particularmente aflitivo - processos de tráfico de influências contra a mulher, o irmão e o número 3 do Partido Socialista, degradação dos serviços públicos, aliança com os separatistas e a extrema-esquerda", os que são pró-guerra, para distraior e safar dois bandidos a contas com a justiça dentro dos seus países - Trump e Netanyahu, perdão, pela defesa dos direitos humanos e para devolver a liberdade às mulheres iranianas.

 

Alguns destes artistas do contorcionismo ganham dinheiro para dizer estas merdas da boca para fora. 

 

[Imagem]

 

 

 

 

Um bufão com acesso ao botão do apocalipse



 Uma hora depois de ter a guerra ganha e o Irão no papo já pedia ajuda aos "aliados" da NATO, os mesmos "aliados" que semanas antes tinha ameaçado entregar a Putin caso não aumentassem as contribuições para a aliança, os mesmos "aliados" que tinha ameaçado invadir para roubar território, os mesmos "aliados" que sem ele não eram nada, zombava, os mesmos "aliados" que volta a ameaçar por lhe negarem apoio numa guerra que decidiu sem lhes dar cavaco, e de onde não pode nem sabe como sair, para fugir à sombra Epstein que o persegue, aliado a um bandido - Netanyahu, a contas com a justiça no seu próprio país.

 

 A haver justiça, Trump, Vance, Rubio, Hegseth, Kushner, Witkoff, e restante bando criminoso, um dia sentavam-se numa espécie de Nuremberga, nos Estado Unidos, para lhes verem aplicada a justiça dos homens, que a divina, para quem acredita, já a têm garantida.

 

[Na imagem print screen de tweet da conta oficial The White House no Xis]