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"Socialismo bolivariano para o século XXI"

 


 O "V" de Vitória e o "OK" de Oll Korrect, grafia intencionalmente errada de "All Correct". Delcy Rodríguez, ex-braço direito, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, actual presidente da Venezuela, e Donald Trump, o homem que raptou Nicolás Maduro e o mantém preso ilegalmente nos Estados Unidos, numa reunião à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em foto publicada pela própria na sua conta Xis, com pisco "cerificada", a rede de Elon Musk, amigo de Trump, que agarra no dinheirinho recolhido e financia a extrema-direita em todo o mundo, para depois o algoritmo lhe dar visibilidade.

 No tempo do PCP isto tinha o nome de neocolonialismo, marionetas do imperialismo, governo fantoche e assim, agora é melhor esperar por quinta-feira para o Avante! explicar.

 

 

Se...

 


 Se, como nas produções de Hollywood durante a Guerra Fria, uma potência estrangeira tivesse infiltrado um agente, educado e treinado para, a partir de um partido, subir todos os degraus até chegar a presidente, de forma a desmantelar o país por dentro e a descredibilizá-lo, o que é que esse agente faria de diferente do que Donald Trump está a fazer?

 [Na imagem "Stupid Tattoo Of A Narcissist"]

 

 

Em Alef-Beit, também conhecido por alfabeto hebraico

 


 "Foi um prazer trabalhar com os iranianos. Não são extremistas"

 "Se eu não tivesse intervido, Israel teria sido destruído"

 "Se os iranianos obtiverem armas nucleares, o inferno abater-se-á sobre eles"

 "Sugeri a Israel que deixasse a Síria lidar com o Hezbollah. Eles fariam isso melhor"

 "Ataca Netanyahu, abraça os iranianos e gaba-se"

 A primeira página do diário israelita Yedioth Ahronoth.

 

 

Mission Accomplished

 

 

 Os States vão descongelar 25 mil milhões de dólares do Irão para reabrir um estreito que estava aberto antes de terem gastado 29 mil milhões numa guerra sem sentido. Há a possibilidade de uma portagem ser reintroduzida em Ormuz, coisa que não acontecia desde os idos de Afonso de Albuquerque. O Irão recebe autorização para exportar petróleo. Os americanos retiram toda a força naval das águas circundantes ao Irão, assim como do Golfo Pérsico. Por arrasto, Israel retira do sul do Líbano e deixa o Hezbollah por sua conta. Pelo meio ficou a pegada de carbono e as mortes de civis e militares, mas isso agora também não interessa nada 

 De todas as justificações dadas para o ataque ao Irão, o regime dos barbudos com trapos enrolados na cabeça não caiu, radicalizou ainda mais; as mulheres não ganharam direitos nunca vistos; a comunidade LGBT não ganhou estatuto; o urânio enriquecido não foi resgatado; a bomba está no mesmo ponto onde a administração Obama a deixou, sem guerra.

 Só falta uma foto do cor de laranja num porta-aviões com "Mission Accomplished" como pano de fundo. Nunca nos iremos esquecer  dos patetas que andaram nas televisões, rádios, jornais, e redes sociais a defender a bondade disto tudo.

 [Imagem] 

 

 

Falta de respeito

 


 Pessoas que ganham três, quatro, e mais salários mínimos nacionais, ainda mais 30% de isenção de horário em cima, que acham que os dos patamares inferiores devem aceitar o banco de horas individual.

 Trump que recusou a ajuda da China para desbloquear a merda que fez, a meias com Israel em Ormuz, com o brilhante raciocínio de que se os chineses se oferecerem é porque querem algo em troca.

 Uma alegada ministra do Trabalho que acha que o Presidente empoderou a UGT ao invés de a "entusiasmar" a assinar um acordo que nos remete a todos para os idos das novelas do Dickens.

 Tudo isto tem um denominador comum, tudo isto é a mesma face da mesma moeda: a falta de respeito pelo outro.

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 

Ezequiel 25:17

 


 "The path of the downed aviator is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil man. Blessed is he who, in the name of camaraderie and duty, shepherds the lost through the valley of darkness, for he is truly his brother’s keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to capture and destroy my brother, and you will know my call sign is Sandy 1 when I lay my vengeance upon thee. Amen"

 Esta administração norte-americana é má demais para ser verdade, mas é. "Pete Hegseth quotes Samuel L. Jackson’s fake Bible verse from Pulp Fiction during sermon".

  [Imagem]

 

Nós, os idiotas

 

 

 Uma merda encenada ao melhor estilo Hollywood, câmaras de vários ângulos, música à la filme de acção, anos 70, San Fancisco downtown, e vendem para a aldeia global como tivesse sido a coisa mais natural do mundo. No intervalo da guerra o cor de laranja telefonou para o Mac a encomendar comida de 'amaricano', deu em todos os telejornais.

 No making of da coisa ficamos todos a saber que a senhora está eternamente agradecida a Trump por ter eliminado as taxas sobre as gorjetas e assim conseguir pagar o tratamento ao cancro do marido, tudo pela pena de um jornalista do diário da direita-extrema espanhola, o ABC, que com a idade da senhora já estava reformado, no país da União Europeia onde o Estado cobre o tratamento do cidadão com este tipo de doenças... 

 Quantos takes foram necessários para gravar este clip, perguntamos nós, os idiotas, que papamos acriticamente toda a merda que nos impingem nos telejornais.

 [Imagem] 

 

"That entire regime led by radical clerics who don’t make geopolitical decisions"

 


 "That entire regime led by radical clerics who don’t make geopolitical decisions. They make decisions on the basis of theology; their view of theology, which is an apocalyptic one".

  Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, sobre o Irão

 [Imagem: "Trump posted an image of himself as Jesus raising the dead. The post appeared on his platform Truth Social amid his criticism of the Pope"]


The White House State Ballroom

 


 O regime teocrático continua onde sempre esteve, agora mais radicalizado; o povo cerrou fileiras em torno do regime contra um agressor externo; agora, mais do que nunca, vão investir tudo na construção da bomba; passamos a pagar portagem onde não se pagava desde os idos do Albuquerque; pelo meio destruíram-se infraestruturas de um país soberano, mais a industria de turismo do Golfo Pérsico; morreram milhares de inocentes; provocou-se uma crise energética mundial; tudo a troco de uns meros 40 mil milhões de dólares numa operação para libertar o Irão dos ayatollahs, pelos direitos humanos, direitos das mulheres, free speach e o caralho, com duração prometida entre 4 a 6 semanas que acabou derrotada em 38 dias. Diz que Trump ganhou a guerra.

 Em vez do White House State Ballroom o cor-de-laranja podia montar uma tenda, saía mais barato e era mais condizente com o inquilino.

 

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 Podíamos, nós, Europa, aprender alguma coisa com o Irão, em como lidar com um bully, egocêntrico e imbecil, por exemplo. 

 

 

 

 

De volta a 1930

 


 Um judeu retratado ao melhor estilo do Der Stürmer de Julius Streicher. Começa a dar frutos esta guerra onde o narcisista egocêntrico Trump meteu a América, a toque de caixa de Netanyahu, e de onde agora não consegue nem sabe como sair. Os Estados Unidos, um dos libertadores da Europa das garras da Alemanha nazi...

 

"Reported in Ohio at a gas station: an antisemitic sticker blaming Jews for rising gas prices using a classic Nazi-style caricature of a Jew". 

 

 

 

 

Vai levar muito tempo até a América recuperar outra vez o respeito e o prestígio

 


 O mundo inteiro goza com Trump, o mundo inteiro goza com os Estados Unidos, o mundo inteiro goza com a América de Trump, ninguém lhe tem respeito. O mundo inteiro ponto e vírgula, em Portugal há quem se esmifre nas televisões para dar racionalidade às decisões de um imbecil egocêntrico.

 

 Ainda ontem Trump deu cinco dias de descanso a Teerão, porque há dois que estavam em conversações, que calhavam precisamente nas 48 horas que tinha dado de ultimato para a reabertura de Ormuz. Confusos? Não, apareceram logo nas redes e nas televisões génios a dar créditos a Trump. Comentadeiros, analistas, especialistas que se torcem todos em directo a explicar a racionalidade, a perspicácia, o génio das decisões de Trump. O homem é apenas imprevisível, nós, os que pensamos que não tem estratégia absolutamente nenhuma é que somos lerdos, ou anti 'amaricanos'.


 Não há memória de alguma vez um país ter conseguido amarrar outro a uma guerra como o Irão faz com os Estados Unidos, qualquer coisa que Trump diga, qualquer coisa que os bajuladores que o rodeiam digam, é prontamente desmontada, às vezes num espaço de segundos, por contas oficiais do regime nas redes, por notas de imprensa para as agências noticiosas, sempre com recurso a um humor humilhante, como a conta oficial da embaixada do Irão na África do Sul, com o estreito de Ormuz controlado por Trump e um Ayatollah.

 

 Qualquer saída vai parecer sempre cobardia, vai soar sempre a derrota.

 

[Imagem]