A vitória do discurso do ódio

 

 

 "Junta de Belém denuncia à polícia festa do 25 de Abril e pergunta se PCP a organizou"

  ""Ou tiras a máscara ou sais": motorista acusado de impedir muçulmana de entrar em autocarro da Carris"

 "Agressão a iraquiano: PSP constitui arguidos três alunos do Colégio Moderno"

 Só numa semana. Parabéns a Luís Montenegro, Aguiar-Branco, Hugo Soares, Leitão Amaro, devem estar a rebentar de orgulho pela vitória do discurso do ódio a que dão cobertura.

 

 

O hiato

 


 "Os imigrantes tornam-se um alvo seguro para a frustração de problemas económicos, sociais e mesmo políticos. [...] O imigrante é um [...] 'homem de palha', símbolo espúrio de frustrações reais. E um homem de palha é facilmente aceso nas fogueiras do preconceito. Este mesmo homem de palha - o imigrante, ou 'o problema da imigração' - pode também ser a última melhor arma do. Os políticos que apelam aos preconceitos raciais e étnicos podem escudar as suas diatribes por detrás da armadura do patriotismo."

 "Os INVASORES ISLÂMICOS vivem dos subsídios pagos pelos europeus , mas querem impor as suas leis, VIOLAM as mulheres europeias e até querem ACABAR com o Natal!" 

 "O Islão é uma DOUTRINA INVASORA, que está alicerçada no ÓDIO, na VIOLAÇÃO dos Direitos Humanos, na SUBJUGAÇÃO FANÁTICA das mulheres, na CRUELDADE animal e na PEDOFILIA"; “cobras vestidas de cordeiro que, sob falinhas mansas de HUMANISMO, apenas nos querem escravizar".

 "ESTÃO A ISLAMIZAR AS NOSSAS CRIANÇAS!"

 Entre um texto e outro há um hiato de 25 anos. O que aconteceu dentro da cabeça de Francisco Gomes se calhar nem o próprio consegue explicar.

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Circo Montenegro

 


 Luís Montenegro montou um circo por baixo da pala do Siza Vieira no Pavilhão de Portugal no Oriente para fazer aquilo que o Sócras fazia: propaganda, com pontos a favor do Sócras, já que o discurso era mais fluído e coerente, o português infinitamente melhor, e sabia do que falava. Pena é que os que criticavam Sócras pelos circos de propaganda montados já não tenham blogues, nem Facebook, nem Twitter, nem LinkedIn, nem espaços de comentário político nas televisões, nem nada.

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O homem das capas do Zeca

 


 Faleceu José Santa-Bárbara, e com ele levou a dúvida que me "atormenta" desde 1983: se o da esquerda, na imagem, por ordem de arrumação que é a cronológica, tem alguma coisa a ver com o da direita. 

 O da esquerda, de seu nome Heróis do Mar, é de 1981, sai na chamada "normalização democrática" da sociedade portuguesa, ainda na ressaca da revolução de 1974. Primeira estrofe do hino nacional, a primeira coisa que nos fica logo quando o aprendemos a cantar, estética new romantic à la portuguesa, posse marcial, epopeia dos descobrimentos, "enquanto as armas descansam", na letra de Saudade, o oposto dos gigantescos murais, a evocar a revolução e o poder popular, que ainda se pintavam nas paredes das cidades.

 O da direita, Como se Fora Seu Filho, Zeca Afonso em 1983, A Nau de António Faria, o pirata na Peregrinação de Mendes Pinto, aquele que desmente a construção romanceada, inócua, incolor e indolor, que foi a História de Portugal de Salazar, a da epopeia dos descobrimentos. E o País Vai de Carrinho, "os meninos das avenidas", as avenidas de onde eram originários os Heróis do Mar, os "meninos" que se podiam dar ao luxo de ter mota no Portugal miserável pré CEE, a mota da roda traseira a maltratar a cruz de Cristo, nas velas das caravelas, na capa do disco dos Heróis do Mar.

 "Qual é a tua ideia, o que é que pretendes?", perguntava, "Ouve os versos", respondia o Zeca, disse uma vez em entrevista José Santa-Bárbara a propósito do processo criativo. Eu acho que ouvia mesmo, com ouvidos de ouvir.

 Faleceu José Santa-Bárbara, o da capa de Cantares de Andarilho, o da capa de Contos Velhos, Rumos Novos, o da capa de Traz Outro Amigo Também, o da capa de Cantigas do Maio, o da capa Eu Vou Ser Como a Toupeira, o da capa de Venham Mais Cinco.

 Faleceu José Santa-Bárbara, o autor de um dos melhores logotipos de sempre em todo o mundo, aquele que ainda hoje é visível em todos os comboios da CP. 

 

 

Os opacos

 


 O Governador do Banco de Portugal, no exercício do mandato, a comprar acções de duas das empresas  que mais estão a lucrar com a guerra inventada pelo cor de laranja no Irão, é a justiça poética que acaba a dar razão às costas de Pedro Delgado Alves na cara de Aguiar-Branco. Se não sabia que não o podia fazer, incapacita-o para o cargo, se sabia e mesmo assim, feito sonso, avançou, é pior a emenda que o soneto.

 Que ficámos a saber da ignorância do Álvaro Miguel nestas matérias explica a razão para o transparente Andrézito avançar com um projeto para limitar o conhecimento público dos doadores dos partidos e regras para jornalistas. E aqui voltamos ao início, ao presidente da Assembleia da República, é que com a total transparência de procedimentos se calhar ficávamos todos a perceber por que razão/ razões são tomadas determinadas opções políticas-governativas e alguma da legislação aprovada.

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Palha para burros

 


 Primeiro estávamos a assistir à "grande substituição", pontes aéreas dos PALOP e do sudeste asiático, aviões cheios de indígenas para parirem nos hospitais do SNS, adquirirem a nacionalidade e coise. O "bar aberto".

 Agora o problema é as gajas, que vinham parir ninhadas de outras cores, afinal vêm é abortar à borla, já não têm filhos, já não há a puta da "grande substituição". É o "turismo do aborto".

 E são dias, semanas, meses, anos nisto, a toda hora, com língua de palmo e meio rajadas de merda atrás de rajadas de merda, sem a mínima coerência, constantemente em contradição, a inventar realidades para ajustar à narrativa. Palha para burros.

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Espelho meu, espelho meu...

 


 Quando os cravos, que sempre foram verdes, deixaram de ser pretos [impressionante a percentagem dos estimados 500 mil daltónicos portugueses que calharam no partido da taberna...] o argumento passou a ser a homossexualidade como arma de arremesso, "ofensa", ao bando de ignorantes eleitos deputados. Ninguém ofendeu ninguém, estamos em 2026, até podem casar, constituir família, ter filhos, foi uma simples constatação. E este argumentário, da homossexualidade como ofensa, diz muito sobre quem o invoca. Ai diz sim senhor.  

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Um Lincoln para os tempos que correm

 


 O cor de laranja alegadamente sofreu um atentado. Não foi vítima, sofreu. Dizem que é o presidente 'amaricano' com mais atentados por mandato quadrado. Raspou-se, rasparam-no para a Casa Branca, ainda sem bunker, os serviços secretos. E passados minutos, passado o alegado cagaço, o cor de laranja apareceu a dizer o que tinha vivido, tudo escrito num papel, a ler para os jornalistas. Que lhe pareceu um tabuleiro a cair, que fazem muito barulho quando caem, toda a gente sabe, e que ele é tipo o Lincoln, e coise, enquanto ia olhando para a papeleta. Um gajo passa por um cagaço de lhe quererem fazer a folha e, para contar um momento único na vida, tem de ler um papel que conseguiu escrever mais rápido que a própria sombra. Não queremos com isto dizer nada, foi só o que aconteceu, está na televisão.

 

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