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O fim do mundo em cuecas

 


 O Correio da Manha [sem til] fez manchete "Governador compra carro com crédito do Banco de Portugal à taxa de 1,4%", letras gordas e negrito, "igual à concedida a todos os trabalhadores do BdP", em letras pequeninas. De imediato as contas e bots afectas ao partido da taberna nas redes, alegadamente sociais, saíram a espumar raiva "é o resultado de 52 anos de socialismo", "é o sistema do PS e PSD", "sempre a irem ao bolso do contribuinte", e o caralho. Saíram em socorro do Álvaro as contas e bots afectas à direita extrema, "está tudo no contrato colectivo de trabalho!", "foi tudo negociado com os sindicatos!", e o caralho também. A direita a defender a contratação colectiva e a utilidade do sindicalismo... Se isto não é o fim do mundo em cuecas...

  [Link na imagem]

 Quando os outros, os da palha para burros, descobrirem outro tipo de "regalias" consignadas na contratação colectiva e relacionadas com os respectivos sectores de actividade, por exemplo, dos trabalhadores da EDP, dos trabalhadores da Carris Metropolitana, dos trabalhadores da banca privada e pública, não há cuecas que cheguem para todos.

 

 

Os opacos

 


 O Governador do Banco de Portugal, no exercício do mandato, a comprar acções de duas das empresas  que mais estão a lucrar com a guerra inventada pelo cor de laranja no Irão, é a justiça poética que acaba a dar razão às costas de Pedro Delgado Alves na cara de Aguiar-Branco. Se não sabia que não o podia fazer, incapacita-o para o cargo, se sabia e mesmo assim, feito sonso, avançou, é pior a emenda que o soneto.

 Que ficámos a saber da ignorância do Álvaro Miguel nestas matérias explica a razão para o transparente Andrézito avançar com um projeto para limitar o conhecimento público dos doadores dos partidos e regras para jornalistas. E aqui voltamos ao início, ao presidente da Assembleia da República, é que com a total transparência de procedimentos se calhar ficávamos todos a perceber por que razão/ razões são tomadas determinadas opções políticas-governativas e alguma da legislação aprovada.

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