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"Efeito vertigo"

 


 Pimeiro foi um apóstolo do taberneiro, Rui Paulo Sousa,  depois o taberneiro, ele próprioportugueses expulsos de um restaurante indostânico por falarem português,"onde é que já se viu, onde é que já chegámos, que caminho estamos a tomar?" e o caralho. Dois dias depois chega a verdade, nas páginas do Correio da Manha [!], "portugueses expulsos de restaurante por chamarem puta de refugiada a funcionária", ficámos logo todos a saber em que partido votam estes portugueses de bem, mas isso agora também já não interessa nada, foram expulsos por não falarem português, quem o disse foi um apóstolo do taberneiro, confirmado pelo taberneiro, "li no Tuita", "li no Feiçebuque". Estamos na era do pós-verdade, siga.

 Dois dias depois o partido da taberna faz saber que "há 60 anos  foi inaugurada a maior obra pública realizada no Portugal moderno, em 1966", confirmado duas horas depois por um apóstolo do taberneiro, a "ponte sobre o Tejo", não é 25 de Abril mas também não é Salazar, este ainda tem vergonha, alguma, na cara, "Hoje, a esquerda e os moderados cobardes encobrem a história. Do outro lado da barricada estamos nós, os patriotas, que recordam com orgulho os feitos conquistados no seu país!". Uma história encoberta desde a escola primária, que é quando, por enquanto, se ensina o 25 de Abril e a renomeação da ponte. "Do outro lado da barricada", a margem sul, estão os desgraçados, sofrem no garrafão da ponte para irem trabalhar, sofrem no garrafão para chegar a casa, pagam uma renda mensal em portagens. Viva o partido da taberna que se preocupa com eles, viva pim!

 Antes tinha sido a dona Rita Cid, a rainha da fake new e da descontextualização nas 'redes',  "os imigrantes passam pelo Algarve", e um camião a descarregar indostânicos, monhés, primos dela, que não tiveram a sorte, nem a esperteza, de casarem na base da lei do Afonso de Albuquerque, aquela que permitiu às castas baixas serem gente. A seguir veio o desmascarar da patranha, surpreendendo exactamente zero pessoas não votantes no partido da taberna, o vídeo é em Maldon, Essex, na terra dos bifes, o turismo rasca que invade o Algarve todos os verões. Mas já está dito, está dito. Passou a ideia, mexeu com a percepção. Amanhã arranja-se outra merda de emprenhar pelos ouvidos e depois outra e depois outra, em catadupa.

 É o "efeito vertigo" aplicado à política. E funciona.

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

Nós, os idiotas

 

 

 Uma merda encenada ao melhor estilo Hollywood, câmaras de vários ângulos, música à la filme de acção, anos 70, San Fancisco downtown, e vendem para a aldeia global como tivesse sido a coisa mais natural do mundo. No intervalo da guerra o cor de laranja telefonou para o Mac a encomendar comida de 'amaricano', deu em todos os telejornais.

 No making of da coisa ficamos todos a saber que a senhora está eternamente agradecida a Trump por ter eliminado as taxas sobre as gorjetas e assim conseguir pagar o tratamento ao cancro do marido, tudo pela pena de um jornalista do diário da direita-extrema espanhola, o ABC, que com a idade da senhora já estava reformado, no país da União Europeia onde o Estado cobre o tratamento do cidadão com este tipo de doenças... 

 Quantos takes foram necessários para gravar este clip, perguntamos nós, os idiotas, que papamos acriticamente toda a merda que nos impingem nos telejornais.

 [Imagem