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Notícias da matilha

 


  Não há nenhum conflito de interesses entre o Jorge Bravo que trabalha para seguradoras e fundos de pensões e o Jorge Bravo do relatório sobre "sustentabilidade da Segurança Social", conflito de interesses havia nos professores que comentaram a maior trapalhada na educação da história de Portugal, pelas mãos do ministro Fernando Alexandre, por serem professores com ligações a partidos de esquerda e/ ou a sindicatos. Assim vai a matilha nas 'redes sociais' replicada no espaço de comentário das televisões.

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

Um canalha

 


 "Os professores que estão a classificar exames nacionais vão receber horas extraordinárias como "reconhecimento pelo esforço extraordinário"".

 "O ministro da Educação pediu esta segunda-feira desculpa aos professores pelos constrangimentos no processo de correção dos exames nacionais".

 "Exames: Montenegro acusa professores de "perturbarem o processo" e fala em eventuais "falhas" políticas".

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

A explicação é mais prosaica

 


 Está bem que o Sebastião Burroalho [não é gralha] tem tanta legitimidade para apresentar medidas do Governo, de que não faz parte, como qualquer um de nós; está bem que o Sebastião Burroalho [não é gralha] numa acção de propaganda manhosa mistura partido com Estado, o famoso "Estado totalitário comunista"; está bem que o Sebastião Burroalho [não é gralha] atarefado a não fazer a ponta de um corno em Bruxelas onde, segundo o próprio, "ninguém lhe liga nenhuma", não deu pela lei do trabalho da Ramalho ter sido chumbada no Parlamento, daí ter vindo, benevolente e misericordioso, oferecer o pagamento de horas extraordinárias aos stores, coisa a que já têm direito, segundo a lei do trabalho em vigor.

 [Imagem de Otto Stupakoff] 

 

 

     

As coisas são o que são

 


 Avaliação de desempenho? Lá vinha a Fenprof, mais o inefável comissário Nogueira, que a greve não tinha nada a fazer com os professores, eles próprios, mas sim com a escola pública a qualidade do ensino e o futuro das nossas crianças.

 Alterações ao estatuto da carreira docente? Lá vinha a Fenprof, mais o inefável comissário Nogueira, que a greve não tinha nada a fazer com os professores, eles próprios, mas sim com a escola pública a qualidade do ensino e o futuro das nossas crianças.

 Progressão e quotas para progressão na carreira? Lá vinha a Fenprof, mais o inefável comissário Nogueira, que a greve não tinha nada a fazer com os professores, eles próprios, mas sim com a escola pública a qualidade do ensino e o futuro das nossas crianças.

 "3 anos, 9 meses e 18 dias"? Lá vinha a Fenprof, mais o inefável comissário Nogueira, que a greve não tinha nada a fazer com os professores, eles próprios, mas sim com a escola pública a qualidade do ensino e o futuro das nossas crianças.

 E depois, como se já não bastasse a Fenprof , aparece o Pestana e o STOP, para quem a Fenprof era demasiado à direita e para quem também a greve não tinha nada a fazer com os professores, e ainda acrescentou os funcionários das escolas e os auxiliares de educação, eles próprios, mas sim com a escola pública a qualidade do ensino e o futuro das nossas crianças.

 Chega Montenegro [de chegar, não da aliança com o partido da taberna com o mesmo nome], percebeu melhor que ninguém a causa das coisas, atirou dinheiro para cima do problema, aumentou despesa fixa, mas isso agora também não interessa nada, acalmou a horda, e de bónus levámos com as trapalhadas e a incompetência de Fernando Alexandre, o melhor ministro da Educação a seguir a Nuno Crato, e a Fenprof mais o Pestana já não fazem greve, nem sequer piam, por causa  da escola pública da qualidade do ensino e do futuro das nossas crianças.

 As coisas são o que são.    

 [Imagem: Escola de Cambezes do Rio, Serra do Larouco, Trás-os-Motes, 1983, Georges Dussaud]

 

  

O verdadeiro artista

 

 

 O ministro da Educação afirma que as residências públicas devem ter alunos de vários estratos sociais e não apenas estudantes de meios mais desfavorecidos. Isto porque, acrescentou, dando prioridade aos bolseiros, as residências irão degradar-se mais rapidamente.

      Fernando Alexandre, 16 de Dezembro de 2025

 

 O ministro da Educação admitiu, esta terça-feira, repensar a coexistência de turmas com contratos de associação e da oferta privada no mesmo colégio, considerando que a coexistência dos dois regimes [...] "põe a claro" desigualdades.

      Fernando Alexandre, 17 de março de 2026 

 

[Imagem] 

 

 

 

 

O Estado laico e Mateus 19:24

 


 

 

O Estado "paga 1,46 euros por cada refeição", o dinheiro não chega para tudo, há outras prioridades, aumentar a margem de lucro dos patrões e accionistas, perdão, baixar o IRC, para fixar empresas, corremos o risco da EDP ir para outro sítio e ficamos todos sem luz, ou da GALP deslocalizar e ficamos todos sem gasóleo e gasolina, ou o Continente fechar portas e morremos todos à fome, e "assim sucessivamente", como diria o João César das Neves. E também porque o trickle-down funciona, só em Portugal, mas funciona.


Na cantina da escola dos Salesianos "há comida para os pobres e comida para os ricos", para os que almoçam por mais que 1,46 euros, porque os pais podem pagar, benza-os Deus, a eles e aos pais deles. Nos Salesianos de Dom Bosco, que "são uma congregação religiosa vocacionada para a educação de jovens órfãos e necessitados", não inventei nada, está lá, no sítio deles. Afinal o Mateus 19:24 é literal, não é uma metáfora, é que estão tão bem nutridos que não há volta a dar-lhe, nem untados de vaselina.

 

Como atenuante, para o Estado, dá-se ser em Cascais, no cu de Judas, que segundo o Wikcionário significa no "cu do mundo" ou na "casa do caralho", bué longe, sem oferta da rede pública de escolas, daí o "contrato de associação".

 

[Imagem de autor desconhecido]