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O que interessa é a percepção

 


 O que interessa é a percepção. Foi escrito mais de 300 vezes nas 'redes sociais', não em contas da manada de grunhos, mas em contas da direita dita democrática, de gente conhecida até, portanto é verdade. E já cumpriu a sua missão.

 "É falso que a Guardia Civil tenha confirmado 15 violações de raparigas e mulheres de Ceuta"

 [Imagem de autor desconhecido]

 

 

"Europa Unida"

 


 Mette Frederiksen, social-democrata, e Giorgia Meloni, social qualquer coisa, da direita para lá da direita, continuam no norte de África. Diz  que as governantes de Itália e da Dinamarca lideraram as críticas a Espanha, de Pedro Sanchez, socialista, pela crise em Ceuta, e que agora pedem a criação de centros de retorno, sublinhando que querem defender valores europeus partilhados, o património cultural cristão, e o caralho, ao invés de cerrarem fileiras contra mais uma manigância de Mohammed VI, a usar a miséria do próprio povo como arma política, numa conjugação entre pressão migratória, redes sociais, e jogar por antecipação com as divisões e divergências entre Estados europeus. E, enquanto as duas andam entretidas na cruzada contra os infiéis, uma petrolífera com ligações a Trump prepara-se para entrar, sem autorização, na Gronelândia, com os primeiros equipamentos de perfuração a chegarem à costa leste do território no passado mês de Julho. E agora, mais do que nunca, que é preciso a Europa a uma só voz, temos a fronteira norte a ser tomada pelo "aliado" dos "valores partilhados", do "património cultural cristão", e se calhar a camarada Frederiksen espera solidariedade da Espanha, a da propagação da fé pela espada.

 Nos idos dos 70s, antes e depois do dia 25 de Abril, era comum ver circular nas estradas e nas ruas das cidades carros com um autocolante "Europa Unida" colado na traseira, e as várias bandeiras da então CEE, a de Portugal incluída, que não pertencia, e estava longe de pertencer à comunidade, e quando nem os "europeus unidos" queriam ter alguma coisa a ver connosco. Cinquenta anos depois voltámos as bandeiras no autocolante, uns pertencem, outros não, outros não querem ter nada a ver, outros não conseguem ver para lá do umbigo das percepções no eleitorado perante o qual respondem.

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

"Natação obrigatória, para a salvação é condição necessária" *

 


             "Adiada 82.ª edição de prova de natação histórica em Ceuta"

  * "Mal a gente vem ao mundo, logo a gente vai ao fundo"

 [Link na imagem: "Belongings left behind by migrants float in the sea after they crossed from Morocco into the Spanish enclave of Ceuta, Friday, July 31, 2026. AP Photo/Antonio Sempere]

 

 

Angola é nossa

 


 "Ah e tal, Marrocos nem sequer existia, logo Ceuta não é marroquina, as pretensões de soberania caem já por terra". O chamado argumento do caralho. "Ah e tal, Angola nem existia quando lá demos à costa ", até temos uma canção e tudo, "Angola é nossa".

 [Os filhos da puta anónimos do partido da taberna no Twitter escrevem "caiem", deve ser uma mistura de cair com caiar] 

 

 

Eles andam aí

 


 Quem é mais perigoso, a alegada esquerda, putinista, no ataque à União Europeia, escondido atrás da sonsice "no war" vs. "Estado social", ou a direita, alegadamente democrática, conscientemente a cumprir a agenda trumpista de ataque à União Europeia, por interposta pessoa, a Espanha? 

 [Link na imagem "Migrants cross from Morocco into the Spanish enclave of Ceuta, Thursday, July 30, 2026". AP Photo/ Antonio Sempere]

 

 

A tomada de Ceuta pelos mouros

 


 "Ah e tal, Ceuta está ser invadida por milhares de migrantes, está em causa a nossa segurança, e o caralho". De minions do partido da taberna a ilusionistas liberais é o mantra nas 'redes'. Viram o Don't Look Up e não perceberam nada, já tinham visto o World War Z e também não tinham percebido. "Zombies", "tretas de Hollywood".

 Quando o raciocínio não dá mais que o economez da "despesa pública" não há grande coisa a fazer, a questão é de resolução a montante.

 [Imagem]

 Se Ceuta e Melilla fossem  devolvidas a Marrocos a questão dos migrantes não se colocava, passavam a fronteira de Marrocos para... Marrocos. E não é por terem entrado em território da União Europeia que ganham automaticamente estatuto de livre circulação.

 Os que atiçam os cães e fazem a distribuição diária da palha aos burros sabem perfeitamente que esta é mais uma jogada da ditadura marroquina, aliada de Trump e de Israel, para pressionar a Europa, por interposta pessoa, a Espanha de Sánchez.