"Europa Unida"

 


 Mette Frederiksen, social-democrata, e Giorgia Meloni, social qualquer coisa, da direita para lá da direita, continuam no norte de África. Diz  que as governantes de Itália e da Dinamarca lideraram as críticas a Espanha, de Pedro Sanchez, socialista, pela crise em Ceuta, e que agora pedem a criação de centros de retorno, sublinhando que querem defender valores europeus partilhados, o património cultural cristão, e o caralho, ao invés de cerrarem fileiras contra mais uma manigância de Mohammed VI, a usar a miséria do próprio povo como arma política, numa conjugação entre pressão migratória, redes sociais, e jogar por antecipação com as divisões e divergências entre Estados europeus. E, enquanto as duas andam entretidas na cruzada contra os infiéis, uma petrolífera com ligações a Trump prepara-se para entrar, sem autorização, na Gronelândia, com os primeiros equipamentos de perfuração a chegarem à costa leste do território no passado mês de Julho. E agora, mais do que nunca, que é preciso a Europa a uma só voz, temos a fronteira norte a ser tomada pelo "aliado" dos "valores partilhados", do "património cultural cristão", e se calhar a camarada Frederiksen espera solidariedade da Espanha, a da propagação da fé pela espada.

 Nos idos dos 70s, antes e depois do dia 25 de Abril, era comum ver circular nas estradas e nas ruas das cidades carros com um autocolante "Europa Unida" colado na traseira, e as várias bandeiras da então CEE, a de Portugal incluída, que não pertencia, e estava longe de pertencer à comunidade, e quando nem os "europeus unidos" queriam ter alguma coisa a ver connosco. Cinquenta anos depois voltámos as bandeiras no autocolante, uns pertencem, outros não, outros não querem ter nada a ver, outros não conseguem ver para lá do umbigo das percepções no eleitorado perante o qual respondem.

 [Imagem de autor desconhecido]