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Pera aí cu pai já vai

 


 Parece que a ideia agora, porque há sempre uma ideia "agora", é posicionar Portugal como hub europeu de centros de dados. Localização estratégica atlântica, energias renováveis a dar com um pau, obrigado ao Sócras, cabos submarinos. Dinheiro a montes, milhares de milhões em investimento, criação de emprego aos milhares, porque a criação de emprego é sempre aos milhares, até nos resorts da península de Troia, mesmo que depois da obra feita nunca ninguém se lembre de comprovar quantos milhares de postos de trabalho foram efectivamente criados.

 Adiante. Para um hub europeu de centro de dados, infraestruturas nevrálgicas e estratégicas que num click podem fazer para um país, um continente, alvos prioritários numa eventual guerra,  num futuro que se espera distante, num país sem capacidade de defesa e que anda há um mês a discutir a compra de três barcos aos italianos. A sério?! Como diz o povo, "pera aí cu pai já vai".

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

Tempos houve em que os palermas se chamavam palermas

 

 

 Ainda sou do tempo do autêntico "crime contra a humanidade" que foi Adam 'Adole' Kohn, sobrevivente do Holocausto, a dançar I Will Survive de Gloria Gaynor com os netos frente ao portão de Auschwitz, chegamos a 2026, e os filhos dos sobreviventes da Shoá convindam um bando, que passa os dias na net a dizer merda da boca para fora, para se fazer filmar a dançar no local do massacre perpetrado pelo Hamas em Outubro de 2023, enquanto fazem caretas e 'shaka sign' paras as câmaras.

 Tempos houve em que os palermas se chamavam palermas, agora dão pelo nome de 'influencers'.

 [Imagem: "Laughing Fool", Jacob Cornelisz van Oostsanen]

 

 

Um berbicacho do cacete, é o que é

 


 Vai grande alvoroço nas 'redes', e nos 'espaços de comentário', cof, cof, nas televisões, porque afinal somos 11,41 milhões e não 10,75, como afiançavam no tempo do Costa, o malandro, e que Portugal passou de 81% para 76,2% da riqueza média da UE por habitante e cai para a 22.ª posição do ranking, no tempo do Costa, o malandro. E isto porque é tudo apanhadores de mirtilos, ciclistas da Bolt, monhés da economia paralela, subsídio dependentes e o caralho.

 Malandragem à parte, o que nos apoquenta é os empresários insistirem em dizer que fazem falta mais 100 000 - cem mil imigrantes, e ainda nem sequer começámos as grandes obras públicas - novo aeroporto, terceira travessia do Tejo, TGV, onde a nova política de deixar entrar só os mais qualificados nos vai obrigar a importar imigrantes com mestrado em trolha, doutorados em cofragem, licenciados em soldadura, MBA em serralharia, e por aí.

 Um berbicacho do cacete, é o que é.

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

Sumário

 


 Aqueles que menorizaram a tomada de posse de Seguro, que não estava ninguém, que não tinha o apoio do povo, e outras merdas que não lembram a ninguém com os cinco alqueires bem medidos, como forma de disfarçar a abada que levaram do tal povo nas urnas, iludindo que era segunda-feira e o povo trabalha, são os mesmos que faltaram ao trabalho e, pagos pelos impostos dos portugueses, montaram uma pocilga contra Lula frente ao Palácio de Belém, misturando tudo, opções políticas e relações institucionais entre países soberanos, para o caso o maior país da língua portuguesa e uma das maiores comunidades estrangeiras a viver em Portugal, tudo temperado com rajadas de mentira em directo para as televisões. Se calhar ainda vão pedir "ajudas de custo" ao Parlamento por um dia passado na chafurda.

 [Imagem

 

 

As prisões cheias de presos políticos a seguir ao 25 de Abril

 


 Denunciado, o meu bisavô foi preso pela GNR de Montemor-o-Novo. Entregue à PIDE, passou uma semana na António Maria Cardoso em Lisboa, por pagar 15 escudos/ dia de ceifa, a homens e mulheres, sem discriminação, contra o acordado na véspera entre os lavradores: 5 escudos aos homens e 25 tostões às mulheres. 

Tive um primo torturado pela PIDE. Só soube o que era o PCP e o  comunismo depois de ter caído nas celas de Caxias ao lado dos presos  comunistas. Foi preso pela numa rua de Évora. Era domingo, vinha da missa com o melhor casaco vestido. Na lapela uma ferradura e um martelo, símbolo da corporação, que a PIDE insistia em ver uma foice e um martelo.

 Dois exemplos do absurdo, da estupidez, da ignorância, que foi o tempo do "um Salazar". Há um anormal que pede três.

 [Imagem]

 Bem vistas as coisas são três os exemplos: as pessoas eram pagas em tostões por jornadas de quatorze e mais horas de trabalho.