As prisões cheias de presos políticos a seguir ao 25 de Abril
Denunciado, o meu bisavô foi preso pela GNR de Montemor-o-Novo. Entregue à PIDE, passou uma semana na António Maria Cardoso em Lisboa, por pagar 15 escudos/ dia de ceifa, a homens e mulheres, sem discriminação, contra o acordado na véspera entre os lavradores: 5 escudos aos homens e 25 tostões às mulheres.
Tive um primo torturado pela PIDE. Só soube o que era o PCP e o comunismo depois de ter caído nas celas de Caxias ao lado dos presos comunistas. Foi preso pela numa rua de Évora. Era domingo, vinha da missa com o melhor casaco vestido. Na lapela uma ferradura e um martelo, símbolo da corporação, que a PIDE insistia em ver uma foice e um martelo.
Dois exemplos do absurdo, da estupidez, da ignorância, que foi o tempo do "um Salazar". Há um anormal que pede três.
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Bem vistas as coisas são três os exemplos: as pessoas eram pagas em tostões por jornadas de quatorze e mais horas de trabalho.
