Jovens, habitação, sacrifícios, gerações anteriores e conversa de merda

 



 Ouvir a conversa de merda sobre "habitação, sacrifícios de jovens e gerações anteriores" mais o "antigamente", por um deficiente intelectual [procurei, procurei e não consegui encontrar melhor adjectivação] que ocupa o cargo de presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, fez-me ir ao defunto Der Terrorist recuperar um post por mim escrito em 16 de Fevereiro de 2023:

 "Oito pessoas, na altura a coisa não funcionava como "família", funcionava como "chefe de família", juntavam-se. Geralmente trabalhavam na mesma empresa, pediam um empréstimo à Caixa de Previdência e Abono de Família, compravam um terreno, pagavam o projecto a um arquiteto e a construção a um empreiteiro. Eram três andares mais rés-do-chão, esquerdo e direito. Ficavam a pagar uma renda fixa, independentemente do rendimento familiar, durante 25 anos até à liquidação total da dívida. A prestação mensal não sofria com as oscilações e os humores do mercado. 

 Foi nos idos do Estado Novo. E foi assim que milhares de ruas e bairros, como os das fotos que ilustram o post, a Praceta das Janelas Verdes e a Rua das Areias, em Setúbal, nasceram de norte a sul de Portugal.
 Não resolveu o problema da habitação em Portugal: os bairros de lata eram mais do que muitos e, mesmo largos anos depois do 25 de Abril, continuavam a ser uma realidade. Mas resolveu o problema de uma classe média/ média-alta em ascensão.
 Está bem que não havia os "mercados" nem os "investidores", e os bancos não eram alimentados pelos contribuintes na altura dos apertos, nem pelo cidadão em tempos de bonança. Não havia eleições, mas agora que as há, ninguém é chamado a eleger mercados. É suposto que os eleitos governem em favor dos eleitores e não de poderes obscuros, e que um partido socialista seja efetivamente socialista, e não uma cona aberta aos interesses privados e à especulação.
 Depois, quando um qualquer taberneiro que quer inaugurar uma nova República vier argumentar que o fascismo fez mais pela habitação para a classe média do que 50 anos de democracia, ficam todos mui admirados por o pagode concordar, aplaudir e refletir esse aplauso nas urnas."

 [Imagens sacadas do Google Maps]