A bandeira de cada um

 

 

 Nas presidenciais de 1986 - Freitas, Soares, Pintasilgo, Zenha - as pessoas apareciam nos comícios, arruadas e acções de campanha com as bandeiras e os cachecóis dos clubes de futebol do coração. Não se sabe quem começou ou como começou, e até foi motivo de reportagens em telejornais. Perdeu-se; foi só naquela campanha, vá-se lá saber porquê.

 Agora são as bandeiras da Palestina em manifs e concentrações pelo direito à habitação e pela educação para todos. Em Portugal, Espanha, França, Albânia, Bélgica, onde quer que haja contestação. E estas até percebemos porquê, dispensam motivos de reportagem nos telejornais. A reportagem que devia ser feita era sobre como do governo aos jornalistas e comentadores avençados todos usarem o tema da bandeira como forma de desvalorizar o protesto e a contestação. A bandeira de cada um é a bandeira de cada um.

 A liderança é dada pelo exemplo, dizem eles.