Fazendo de advogado do diabo

 


 Toy, com quem e com cuja música não me identifico um pentelhésimo que seja e que calado é um poeta, em entrevista ao Expresso largou "Se uma pessoa não tem dinheiro nem casa, de que serve a liberdade? Só serve para quem tem dinheiro: chamam a isso liberalismo".

 Mais rapidos que a própria sombra cairam os ilusionistas liberais em cima do António, de ignorante para cima, que se enche a expensas do mal-baratar do dinheiro do contribuinte em contratos com câmaras municipais e juntas de freguesia, que ninguém pagava um chavo para o ver se fosse do próprio bolso, e coise, com direito a brochura ilustrativa e tudo.

 Como nunca fui grande espingarda a matemática, abri aqui a calculadora do Windows e dividi os tais 194.457,50 € por 17, que são os contratos em questão, e o resultado foi 1,161,514.705882353.

 Como um espectáculo não se faz sozinho, há o Toy e há a banda que acompanha o Toy, e há uma coisa chamada roadies, os desgraçados que chegam antes de toda a gente e se vão embora muito depois, depois de terem montado e desmontado o palco, e há o sistema de som e luzes, e ainda mais os técnicos de som e luz que metem aquilo tudo a funcionar, sou levado a concluir que o António Ferrão até ganha mal.

 Mas ninguém lhes diga que 200 mil, contas redondas, são pinares comparado com o que recebe em direitos de autor, músicas suas e outras que compõe para terceiros, royalties, músicas para spots publicitários, programas de televisão e um grande et caetera.

 [Imagem