António José Seguro promulgou a Lei da Nacionalidade. Com muita pena dele por não haver mais consenso. Depois da memorável "abstenção violenta" uma não menos memorável promulgação violenta. A um domingo, o Dia do Senhor, o ódio, a xenofobia, e a Pátria, "marcas ideológicas do momento", diz o cândido. As redes, alegadamente sociais, ligadas ao partido da taberna e que até à véspera, sábado, juravam estar um xuxalista esquerdista sentado em Belém, desataram em aplausos e elogios. Os outros, o PSD, governo sombra do partido da taberna, e ilusionistas liberais, também rejubilaram com a promulgação dominical. Ao domingo também se trabalha, pensaram eles, que antes de estarem reunidos em colectividade, andaram em polvorosa nas redes por causa de uma licenciatura em dia de Eucaristia. E aqui temos António José Seguro, em vésperas de uma lei do trabalho dos tempos das novelas do Charles Dickens, para a qual já implorou 500 vezes "consenso" para não ter também de a promulgar violentamente contra o prometido em campanha eleitoral.
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