Fascismo e maternidade

 


 Uma vereadora pediu a suspensão temporária do mandato na Câmara de Sintra, invocando licença de parentalidade por ter sido mãe recentemente. Menos de um mês passado, a vereadora suspensa está em Coimbra, na qualidade de deputada eleita à Assembleia da República, a invadir o estúdio de uma rádio privada, a duzentos e tal quilómetros de Sintra, onde não podia estar por causa do recém-nascido, com o intuito de interromper a emissão. Se fosse uma mãe de um bairro social ou uma mãe imigrante a deixar o filho com menos de um mês sabe-se lá onde e como, para ter de ir trabalhar nas limpezas a ganhar uma miséria, havia uma coisa chamada Comissão de Proteção de Crianças e Jovens; assim, está tudo bem.

 Por uma daquelas coincidências do caralho, no dia a seguir, a polícia turca entra nas instalações de uma televisão privada, interrompe a emissão e assume o controlo da estação. É o denominado islamofascismo, igualzinho ao fascismo católico e evangélico, só muda a posição para onde se está virado durante a oração. O raide à Rádio da Universidade de Coimbra é só uma amostra do que nos espera caso um dia o taberneiro chegue ao governo, a solo ou a meias com o pantomineiro do pin.

 [Na imagem uma capa falsa do jornal da Associação Académica de Coimbra, A Cabra, que circula no outrora Twitter] 

 

 

Já eras

 


 A entrevista ao taberneiro, por coincidência e só por coincidência, honi soit qui mal y pense, no dia a seguir à entrevista ao pantomineiro do pin, serviu para mostrar a Passos Coelho que está fora de prazo, não serve para coisíssima nenhuma. Ventura inchou, ganhou vida própria, não precisa de "ajudas" nem da cara de ninguém que, além do mais, não deixou boa cara. A questão é: o que faz correr Passos Coelho? Não é burro, vê as sondagens e os estudos de opinião, já percebeu que a criatura devorou o criador... É o que resta do "pote"?

 [Imagem de autor desconhecido] 

 

 

Não perdemos pela demora

 


 Poucas horas passadas sobre a entrevista a Passos Coelho onde defende acordos de governação com a extrema-direita, duas deputadas eleitas pelo partido da taberna invadem um órgão de comunicação social para imporem a sua presença. "No pasa nada!", para a direita da "lei e da ordem" e do "respeito pela propriedade" tudo é tolerável e normalizável desde que seja à sua direita, o problema são os campistas do Porto na D. João I.

 [Imagem] 

 

 

Falta uma pessoa nesta fotografia

 


 Há uma relação directa entre aumento de criminalidade e imigração. Estamos [o país ou o que falta de "ir ao pote"?] a perder tempo por não haver um acordo de governo entre o PSD, o partido da taberna, e o Ilusão Liberal, agora sem liberal. O taberneiro é um gajo porreiro, pá. Não tenho [tem] ideias de voltar, este trabalho de minagem do terreno não tem nada a ver com os idos da dona Manuela do colar de pérolas. Falta uma pessoa nesta fotografia.

 

 

O serviço público de televisão com as manhas das televisões privadas

 


 "Há cada vez mais pessoas a trabalhar depois dos 65 anos". Na falta de um, entre centenas de milhares por conta de outrem, a RTP ilustra a reportagem com uma proprietária de um mini mercado de bairro. Muito bem.

 Depois de falarem todos os líderes partidários que marcaram presença nas manifs "Não dá mais para viver assim" de norte a sul do país a RTP consegue meter no alinhamento da notícia Mariana Leitão, líder do Ilusão [caiu o "Liberal"], em fim-de-semana na ilha adjacente da Madeira. Muito bem.

 Ao invés de ser o serviço público de televisão a referência e o definidor do padrão noticioso a seguir pelos telejornais temos o serviço público de televisão a adoptar as manhas das televisões privadas. Muito bem.

 [Imagem de autor desconhecido]